
Para falar a verdade, eu nunca pensei em rádio na minha carreira. Eu sou um ator de teatro. Fiz televisão acidentalmente, fiz rádio por convite e nunca pensei num programa de rádio, nunca criei projeto algum, nesse sentido. Comecei a trabalhar na Rádio MEC, em 1957, a convite de Murilo Miranda que, então, dirigia a Rádio. Ele era um homem que tinha trânsito por todos os meios intelectuais do país. Era amigo pessoal de Mário de Andrade, que já tinha morrido nessa época. Existem até as cartas de Mário para ele e dele pra o Mário, maravilhosas. Era um homem com uma visão sobre cultura extraordinária. E ele teve então a idéia de fazer o programa Quadrante, que eram cinco minutos em que eu lia crônicas. E os cronistas eram a nata da inteligência do Rio de Janeiro. Era Carlos Drummond, Cecília Meireles, Dinah Silveira de Queiroz, enfim, um para cada dia da semana. Então era um programa privilegiadíssimo. Durava no máximo cinco minutos, que era o tempo de leitura de uma crônica. Ia ao ar às o